Se juntar, o bicho foge

Murilo Bueno escreve sobre a corrupção em nosso País

Por Murilo Bueno 18/09/2017 - 17:06 hs

Diz o antigo adágio popular que “a ocasião faz o ladrão”. Machado de Assis, com a propriedade que lhe era peculiar, corrigindo o brocardo, afirmara: “Não é a ocasião que faz o ladrão. A ocasião faz o roubo; o ladrão já nasce feito”. Quer saber? Nesta altura do campeonato, tanto faz. 

A classe política, de um modo geral, salvo exceções, espera a ocasião como um lobo à espreita. 

Os personagens da cena política brasileira fazem parte de uma grande tragicomedia.  Afinal, parece cena de filme pastelão, o ex-ministro que esconde em casa 51 milhões de Reais, fruto de propina. O caso do Senador mineiro, aquele mesmo, o “coronézinho”, que manda o primo receber dinheiro de propina e o mesmo é pego com a boca na botija, tentando guardar 500 mil Reais nos bolsos da calça. Isso sem falar no clássico caso do assessor do deputado, preso, tentando embarcar no aeroporto de Congonhas com cem mil dólares escondidos na cueca. 

Seria cômico se não fosse crônico. Trágico! 

Neste triste espetáculo em que se transformou a política por estas bandas, neste pântano aonde chafurdam boa parte do Legislativo, Executivo e até mesmo o Judiciário nacional, o senso de ética e moral foi perdido há muito tempo, ou como se diz, “mandou lembranças”. 

A operação “lava-jato” e seus desmembramentos expõem uma cusparada diária na cara de cada contribuinte, que paga uma das maiores cargas tributárias do planeta, em troca de péssimos serviços prestados pelo Estado. 

Neste ponto, me refiro não só a classe média, mas a grande parte da população que vive no limiar da pobreza, na vala comum da miséria e precariedade, diante de uma completa ausência do Estado, exposta a uma saúde calamitosa, sem o mínimo de segurança, educação e saneamento básico. 

Em contrapartida, enquanto exige sacrifícios obscenos da população, o governo escancara os cofres públicos num verdadeiro balcão de negócios, liberando recursos para parlamentares, expondo empresas públicas à tara e à sanha de bandidos travestidos em cargos públicos. 

Como se não bastasse, temos a pior composição da Câmara dos Deputados dos últimos anos, cujos membros legislam em causa própria, se prevalecem dos cargos para, sistematicamente, obterem vantagens pessoais, locupletarem-se. Estão preocupados em garantir o seu e o povo que se dane. É aquela história, “Farinha pouca meu pirão primeiro”. 

Mas o que mais preocupa mesmo é esse silêncio gritante, essa apatia do povo diante de um parlamento vendido e um presidente denunciado por crime comum. 

Talvez o que explique esse silêncio que machuca aos ouvidos é o receio da população de que ao protestar, possam estar beneficiando Lula e sua turma, por exemplo. De outro lado, uma pseudo-esquerda transforma roucas manifestações em atos pró-petismo, quando o alvo do protesto deveria ser outro. 

Essa polarização besta entre direitistas e esquerdistas impede as pessoas de se unirem. Corrupção no Brasil é ambidestra, multipartidária. Direita e Esquerda nos roubaram e nos roubam descaradamente. E quando a sociedade se cala, a sujeira se banaliza. 

O que muda os rumos da história é povo nas ruas, nas praças, mobilizado.  Esses “caras” ainda tem medo do povo.  Não se pode ser indiferente a esse escárnio. Fazermos piada a cada escândalo é o mesmo que dar risada no enterro da mãe. 

 

O povo tem que reagir a Temer, Lula, Aécio e ao que eles representam. “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.....Mas se juntar, o bicho foge”