Famílias despejadas em Matão estão vivendo em local improvisado

Justiça determinou reintegração de posse e muitas pessoas não sabem para onde ir.

Por Redação 21/06/2018 - 09:30 hs

Sem ter pra onde ir, muitas famílias que foram retiradas do acampamento Novo Horizonte, em Matão (SP), estão agora em um terreno do governo federal, no distrito de Bueno de Andrada.

Uma decisão da justiça determinou que as famílias saíssem da àrea que tem 240 hectares e pertence ao governo do estado. Segundo a Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp), o espaço vai ser destinado para reflorestamento.

A operação de reintegração de posse da área foi iniciada na terça-feira (19) e deverá custar R$ 400 mil à Itesp, que está arcando com o aluguel de máquinas e banheiros químicos e com a alimentação dos trabalhadores que estão realizando a destruição dos barracos.

De acordo com a polícia que acompanha a reintegração, cerca de 75% do trabalho já foi feito. O prazo final para a reintegração é quinta-feira (21).

Segundo a organização do movimento, 270 famílias viviam no local.Grande parte delas está vivendo precariamente em um acampamento improvisado, onde colchões estão cobertos por um teto de lona.

O local não tem muita estrutura porque várias pessoas, como o trabalhador rural Argeu Benedito Rodrigues, de 75 anos, não conseguiram retirar todos os seus pertences antes dos barracos serem destruídos.

“A gente tinha laranja, tinha pé de caju, manga, abacate. Acabou com tudo. Olha lá ficou um terror. Eu cheguei lá e parece que a terra afundou comigo”, disse Rodrigues chorando.

Também emocionado, oagricultor Danilo Moreira Macedo fez uma lista do que perdeu: “Eu tinha lá mais de 2,5 mil pés de mandioca, estufa, canteiro com hortaliça, perdemos tudo. Agora, para falar a verdade eu não sei o que pensar, com três crianças na rua, eu não sei o que vou fazer”, disse.

Na trabalhadora rural Conceição Sabino, o que mais doeu foi a destruição das plantas.

Sem ter para onde ir

 

O organizador do movimento, Luciano Chagas Sobrinho, disse que trabalhadores vão ficar onde estão.

“Vamos indo até nos organizar novamente porque não tem onde ir. Se tiraram nosso trabalho, nosso sustento, nós estamos aqui jogados, jogaram a gente na rua, agora a gente vai tentar viver novamente, a gente vai fazer um coletivo para ver como a gente vai viver daqui para frente."

A imprensa não foi autorizada a acompanhar o trabalho de desocupação. O Itesp informou que no fim de fevereiro os representantes das famílias foram avisados sobre a reintegração e tiveram tempo pra retirar os seus pertences.

Disse ainda que está oferecendo caminhões para o transporte de móveis e objetos até um raio de 70 quilômetros e que os bens não retirados pelos moradores irão ficar à disposição da Justiça em locais determinados pelo Itesp .

Segundo a Prefeitura de Araraquara (SP), a maioria das pessoas foi encaminhada para casa de familiares e para a Secretaria de Assistência de Matão, mas algumas famílias voltaram a Bueno de Andrada em sinal de resistência.

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) foi contatado para dar uma posição sobre a nova área ocupada, mas não deu retorno até a publicação dessa matéria.